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domingo, 4 de setembro de 2011

• A mulher e seus climas


A Mulher e Seus Climas
(Arthur da Távola)

A mulher não é ela.

É o clima dela.

Melhor do que perfumes é o cheirinho de banho recente
que se descobre no cabelo e na nuca ou de capim
cheiroso espalhado no armário e herdado pela blusa ou
camisola.

Nada de voz aguda. Um tom de médio para grave é
preferível.

Uma gota de rouquidão incentiva.

Nada de perfeições! Nem de corpo, nem de inteligência e
espírito. Só de caráter.

Mulher mau caráter é tão raro quanto repulsivo.

O importante é mesmo ter algo de errado no corpo ou no
rosto, atraentes.

Certos pequenos erros acentuam traços ou detalhes que,
isolados, crescem muito e ganham o todo.

O lábio um pouco mais grosso, seios com bicos
estrábicos, alguma penugem de que ela não goste mas
necessária, o nariz um pouco maior do que ela
desejaria, tudo isso aquece a atração.

Carinho tem hora. Não hora marcada, mas hora adivinhada.

Carinho fora de hora, eriça.

Olhar de uma tristeza tão antiga quanto encarnações é
forte fator de atração.

Lágrimas a postos. Sempre.

Por favor, nenhuma bronca com barriguinha ou descuido
nosso.

Nada de exigências ascéticas, dietéticas, apologéticas
ou ideológicas.

Mulher que atrai e mantém o seu homem é a que gosta
mais de alguns defeitos dele do que de uma perfeição
idealizada ou basbaque certinho demais.

Mas honradez ele deve ter.

Mulher deve falar como quem insinua em vez de ordenar.

Pedir como quem ajuda; saber esperar.

E não pode ficar falando "eu acho" toda hora, nem
descuidar-se das unhas dos pés.

Pudor é essencial.

Mas um pudor velado, revelado apenas na linguagem sutil
mas eloqüente de seu corpo, no modo de se encolher na
cadeira ou cruzar os pés.

Rebolados, só os muito suaves e discretos. Mas
evidentes.

Ser friorenta é indispensável.

Se for possível preferir o silêncio - entre reclamar e
reivindicar, salvo quanto tenha muita razão - melhor
ainda.

Se não for assim, que venha a bronca, mas com mansidão.

E depois não permaneça a resmungar.

Que goste de eventuais e raros pilequinhos, jamais de
alcoolismo.

Que ame beijar.

Aprecie e valorize gentileza e adore ser deixada cruzar
a porta na frente.

Pisar firme, mas leve.

Mulher não deve chegar, deve aparecer.

Não deve entrar, deve aproximar-se.

Não deve mastigar, deve diluir.

Não deve engolir, deve sorver.

E por favor, cuspir, jamais.

Só no consultório dentário...

Ar de brincadeira antes de amar é receita infalível.

E dormir o mais encolhidinha possível e depois acordar
solta, confiante no sono.

Em viagens é essencial cuidar da gente.

E guardar sempre uma surpresa para ser dada de repente.

Sim, ser bela nada tem com ser bonita.

É muito mais.

Porque a mulher não é apenas ela.

É também o clima dela.

Artur da Távola, o pseudônimo de Paulo Alberto Moretzsohn Monteiro de Barros, (Rio de Janeiro, 3 de janeiro de 1936 — Rio de Janeiro, 9 de maio de2008) foi um advogado, jornalista, radialista, escritor, professor e político brasileiro.

domingo, 14 de agosto de 2011

• A garota de São Paulo

Um texto de Marcelo Rubens Paiva

Existem mais de cem tons de cores. Mas prefere o preto.

Cítricas?

Só quando vai à praia.

E costuma cobrir suas pernas esticadas, finas, com meias pretas.

Usa botas. Não existe mulher que se veste melhor do que as paulistas. E que saiba qual bota escolher e como andar sobre elas.

Sabe o equilíbrio entre o moderno e o convencional. Senso estético apurado. Dona do seu próprio estilo.

A paulista não anda, caminha apressada. Vem e passa. Sem balanço. Sem mar para ir atrás. Moça do corpo pálido. Saturado pela pressa. Beleza que passa sozinha.

Não faz questão de chamar atenção.

Nem tanta questão de ser gostosa, mas magra.

Sempre de dieta.

Sempre em guerra contra a balança.

Malha para se afunilar. Intensamente, pois sabe que a gastronomia da cidade é uma tentação. Massas, pizzas, doces, sorvetes, doces, nhá benta, tesão…

Academia?

Prefere pilates, que estica até o limite das juntas, quase rasga em duas.

E corre, se quer emagrecer urgentemente.

Olhando o chão, pois já tomou muitos tombos por causa das calçadas irregulares da cidade, uma anarquia de desníveis, pedras, buracos, pisos sem um padrão seguro para o seu caminhar apressado de botas, meias e pernas finas.

Rebolar?

Fora de questão.

Olha para o chão e se lembra do que esqueceu, do quanto falta, do que faz falta, do que está errado.

A garota de São Paulo é perfeccionista, gosta de estar ajustada, como as engrenagens de uma indústria. Quer a precisão da esteira de uma linha de montagem.

Passa e olha para o chão, pois pensa nas atividades, nos prazos atrasados, nos compromissos da semana, na agenda do mês.

A garota de São Paulo leva uma vida saudável. Procura comer verduras sem agrotóxico.

Leite?

Desnatado.

Carne vermelha?

Eventualmente.

Carboidrato à noite?

Nem pensar.

O pão tem que ser integral. Linhaça e aveia no café da manhã? Obrigação. Café descafeinado. Chás. Queijos brancos, magros.

Nada industrializado, a não ser a caixa de Bis, que detona algumas vezes em certos períodos, que por vezes tem o intervalo longo, mas quando se torna um vício, chora, porque algo deu errado, desembrulha e engole cada Bis, como se nele a explicação das incoerências.

Recicla o lixo.

Toma remédios para dormir. Toma excitantes para acordar. E aguentar a jornada.

Ela é ambiciosa, trabalha demais, em mais de um emprego, pensa em dez coisas ao mesmo tempo, procura conciliar a organização do lar com a de fora dele.

Ama e odeia o chefe.

Ama e odeia o trabalho.

Sabe que ele dá a independência para ser a moça que quiser, mas também tira o tempo de ser a moça que queria ser.

Metade dela sofre o descarte para a outra parte florescer.

Adora elogios.

Odeia galanteios.

Adora presentes.

Detesta insistentes.

Quer ser cortejada.

Jamais abusada.

Sorri quando assopram um elogio. Fecha a cara quando ultrapassam o limite da sua intimidade. Preserva a privacidade.

Algumas querem ser chefe. Chefiar garotos de São Paulo. O que só dispara seu conflito maior, o de agregar. Terá que dar ordens, broncas, demitir, exigir, estipular metas, cobrar eficiência. E depois sozinha em casa chora no escuro ao som de Billie Holiday. Se sente pressionada, e ela não sabe por quê. A vida não faz sentido, e ela não sabe por quê.

Chora em comerciais da TV, cerimônias de casamento, em maternidades, quando visita as amigas, no
farol, quando uma criança vende bala.

A garota de São Paulo dirige bem. O problema é que se maquia enquanto fala no celular e ultrapassa um busão articulado, aproveitando a brecha entre ele e uma betoneira lotada de concreto. E se esconde no anonimato do insufilm, muda a música do MP3 e, dependendo dela, canta sozinha em voz alta, para não ouvir impropérios.

Faz tanta coisa ao mesmo tempo…

Dirige bem, mas é dispersa. Pensa em vinte coisas em dez segundos. Nunca chega a uma conclusão.
Liga para a mãe semanalmente. Troca poucas palavras com o pai. Detesta a esposa do irmão. E ama as amigas. Com quem viaja para a praia, para não ficarem um segundo em silêncio. Se o tempo não dá chances, prefere uma tarde na piscina do condomínio com as amigas do que encarar o parque lotado.

Se irrita com homens que falam de dinheiro. Se irrita com homens que contam vantagens no trabalho. Se irrita com homens grudentos, esnobes, arrumadinhos, fúteis, incultos, mal educados.

Gosta de homem interessante.

É assim que ela seleciona: os interessantes e os não.

O que é um homem interessante?

Nem se gravar o papo de seis horas na piscina com as amigas consegue-se descobrir.

Tem que ser aquele que chega e não dá bola. Mas que a repara bem antes de ir embora. Que olha como se ela fosse a mais fosforescente das mulheres. E que desse um jeito a todo custo de trocar meia dúzia de palavras e, claro, criar laços e conexões.

Mas se nada der certo, garotos, não esquentem a cabeça. A mulher de São Paulo sabe seduzir. Sabe olhar e demonstrar. Sabe chamar atenção e indicar que você foi o escolhido. Sabe sorrir, ser paciente com a sua demora, ouvir atentamente os seus devaneios e engasgos. E, quando parece tudo estar perdido, sabe dizer a hora de ir embora, como e sugerir na casa de quem.

A garota de São Paulo não enrola.

Quando não quer, deixa claro.

Quando quer, faz de tudo para acontecer.

E não tem o menor pudor de ir para a casa com você na primeira noite, preparar o café da manhã da primeira manhã, que logo, logo, ambos saberão se vai se repetir ou ser o único.

Pode deixar. Andando de volta para casa, com suas meias pretas e botas, olhando para o chão, ela pensará em você.

Tudo isso é uma generalização literária. Mas me dá licença, poeta, para uma licença poética, homenageando sem pedir licença a graça pragmática da mulher paulista.

► Concordo com tudo.

domingo, 20 de março de 2011

• Homem não dança!

Dentre as inúmeras mentiras sociais, a dança protagonizada por homens é uma das mais populares, insidiosas, patéticas e humilhantes. Tal qual as campanhas publicitárias, programas de governos para erradicar a fome e a utilidade das revistas sobre celebridades, a falácia de que os homens gostam de dançar espontaneamente esconde mais significados obscuros e neuroses coletivas do que se possa imaginar. Mas, hoje em dia, na sociedade dita moderna, as mulheres - sempre elas... - resolveram exercer uma pressão enorme para que o gênero oposto faça o mesmo que elas fazem, sem que elas expliquem muito o porquê. Ou seja, ficar se contorcendo constrangedoramente de um lado para o outro ao som de uma música babaca qualquer.

A verdade é que homem não dança. Não é da sua natureza. Ele tem outras prioridades como, por exemplo, beber água, sexo, ganhar do rival, sexo, cagar no mato, sexo, etc. E também sexo. As mulheres deveriam ter outras prioridades também como emagrecer e chorar menos, mas, entre elas, essa atividade coreográfica bastante questionável é idolatrada e vendida como a coisa mais importante do mundo. Homem nenhum vê sentido nisso. Prefere fumar um cigarro qualquer ou dormir no sofá de bermuda, sem cueca, e com uma das bolas pendurada pra fora. Homem não dança e todo mundo sabe disso. Bem, quase todo mundo...

Há provas e mais provas de cunho antropológico que homem não dança de verdade. Entretanto, em todas as culturas primitivas, temos a dança e na maioria desses casos, há homens liderando o processo. Antropólogos e outras espécies de vagabundos se comprazem com esses rituais esdrúxulos, enxergando neles inúmeros e importantes significados ocultos onde há somente, por exemplo, micoses em lugares difíceis de coçar. E o que nós, hoje, filhos da luz elétrica e da penicilina, achamos que são homens dançando por prazer e diversão, na verdade, são seriíssimas e enfáticas manifestações de intuito comunicativo com o Além. Sim, amigos, na verdade, são pedidos desesperados para entidades invisíveis para que mandem uma mísera chuvinha após 20 anos de seca inclemente ou apenas um agradecimento sincero pelo simpático fato de a tribo rival ter deixado somente cinco membros meio vivos no último massacre. Então, os caras apelam para chamar atenção de seus deuses, apresentando um monte de trejeitos corporais extremamente dramáticos, ridículos e comprometedores, correndo de um lado para o outro, sacudindo os braços para cima, desesperados, batucando e gritando alguma ladainha ininteligível, aquela papagaiada toda. Não é dança coisa nenhuma. É histeria mesmo.

Mas foi nas sociedades atuais onde a dança revelou de modo pleno seu verdadeiro significado: o de total inutilidade. Entretanto, as representantes do sexo feminino resolveram mascarar tal fato conferindo ao bailado o status de atividade fundamental para a civilização e mais ainda: resolveram infligir essa palhaçada aos pobres homens!

As mulheres insistem em que seus opostos em gênero devem dançar e isso, na verdade, é uma merda. Elas não sabem, mas homem nenhum dança porque tem vontade. Os que dançam o fazem por motivos rasteiros e inconfessáveis ou então porque não passam de debilóides mesmo. São aqueles pregos que querem parecer uns caras legais, compreensivos e "evoluídos" para as garotas. Eles observam e mimetizam comportamentos que as mulheres endossam, tal qual calangos microcéfalos, só para obter, via de regra, ganho sexual. E a dança é um desses comportamentos. Eles estão lá unicamente para rapinar as mulheres que, inocentemente, acham que homem adora dançar! E elas, coitadinhas, não poderiam estar mais equivocadas... Os sujeitos que se propõe a dançar, na verdade, são do tipo que depois que conseguem inserir um certo apêndice corporal sem osso em várias reentrâncias da jovem tolinha, não estão mais aí se as boites da região vão virar casas de bingo ou se o Grupo Corpo não vai passar mais pela cidade deles.

Muitos desses picaretas irão jurar de patas juntas que gostam mesmo de dançar por uma razão muito simples: essa mentira funciona mesmo para as mulheres. E como funciona! Elas precisam acreditar que o cara está adorando estar ali balançando a cabeça e a bunda, sorrindo, parecendo um idiota, do que jogando futebol e gritando palavrão com os amigos.

Ah, como é óbvia essa farsa! Se elas vissem a verdade não iriam vibrar tanto ao som de "I Feel Good" do James Brown, sem dúvida, a música mais tocada nos últimos 200 anos nas pistas de dança brasileiras ou de "Mr. Jones", do Counting Crows, sem dúvida, a música mais escrota tocada nos últimos 200 anos nas pistas de dança brasileiras.

Há todo um ritual para que esse teatro aconteça. Eles chegam na boite, compram uma cerveja long neck, daquelas da garrafa modernosa e ficam lá fingindo que estão gostando de fazer aquele papel ridículo. É tudo aparência. Aposto que ninguém nunca viu um cara desses abordar um grupo de gatinhas carregando uma garrafa normal de cerveja, de 600 ml sem rótulo, a famosa "long neck de bebum". Depois vão se aproximando lentamente, fingindo que estão dançando - o que é extremamente constrangedor - dão uma checada na rabiola da garota antes para ver se vale à pena aquele sacrifício coreográfico e depois ficam lá pulando levemente, rilhando os dentes, fazendo parecer que estão gostando de se expressar corporalmente ao som de... Madonna! Eles, na verdade, estão mandando uma mensagem não verbal pra as garotas: "Viu? Eu sou um cara legal! Não sou um machão! Estou aqui dançando com você, gatinha! Então, pode dar pra mim hoje mesmo, ok?" Pois é, nesses vagabundos, tudo aparência e nenhuma decência! Ah, em tempo: esse tipo de cara está pouco se fudendo pra maluca da Madonna!

A prova que homem não dança mesmo é que esse tipo de panaca não sai com os amiguinhos pra dançar por aí. Garotos de 14 anos não ligam uns para os outros pra irem dançar em grupo, ligam? "Alô, Marquinhos? É o Pedro. Aí, vamos sair dar uma dançada? Pô, acordei hoje com vontade de chacoalhar o esqueleto..." Eles ligam sim para marcar para fazer merda, tipo pichar paredes públicas, jogar ovo em travesti, dar porrada uns nos outros, etc. Não parece ser mesmo da essência masculina ficar balançando o corpo e soltar uns gritinhos agudos com os braços pra cima. Ou seja, homem não dança mesmo.

Outro dia, estava eu com velhos colegas de cátedra, conversando sobre assuntos importantes como o teorema de Fermat, o problema da dualidade matéria-energia e qual das Meninas Superpoderosas vai engravidar primeiro, quando uma aluna deles bem bonita (para não dizer boa para caralho!) veio a ter conosco. Depois de algum tempo de conversa sobre hábitos sociais, a moça se dirigiu a mim e perguntou: "Você dança? Respondi: "Não. Sou homem, minha filha!". Meus dois amigos, que há horas estavam tentando impressionar a pupila, viram na expressão de estranhamento dela uma oportunidade para angariar prestígio com a jovem e começaram a afirmar categoricamente que "amam dançar", que são "dançarinos habituès", que "a dança faz bem ao corpo e ao espírito" e outras cretinices do gênero. A garota adorou o lixo que ouviu e fez cara feia pra mim o resto da conversa, o que considerei justo pois fiquei satisfeito por ela achar que estava certa e eu errado. Como sabemos, a mais densa ignorância também pode funcionar como uma forma de felicidade rala. Quanto aos meus companheiros, soube depois, que essa mentira ridícula não se converteu em ganho sexual para ambos. Coincidentemente, a aluna foi reprovada nas matérias dos meus dois chapas "bailarinos".

O famoso balé clássico é a prova que só as mulheres dançam mesmo. É claro que também temos homens (ou pelo menos seres humanos portadores de aparelho reprodutor masculino) nesse meio. São expressivos, com olhares penetrantes, inquisidores, lânguidos, misteriosos, "pidões" até. Usam uma maquiagem carregada, malhas apertadas que deixam aparecer todo seu sistema circulatório e que grudam na bunda que nem um adesivo industrial. Possuem o andar saltitante que lembra o de uma gazela arisca na relva e... bem, como disse, o balé clássico é prova que só as mulheres dançam mesmo!

Existem homens que tem que dançar por força de ganho salarial e isso não põe em dúvida sua masculinidade. Põe em risco sua sanidade mental, isso sim! São relatadas inúmeras formas de desvio psicológico causadas por traumas de infância, dívidas com o demônio, carmas medievais e pauladas na cabeça que justificam a dança por homens e que, infelizmente, podem levar um bom funcionário público em potencial a optar pela expressão corporal. Triste, não? Fred Astaire era um gênio hiper-coordenado, sem dúvida, mas é óbvio que ele teria prestado melhor serviço à humanidade como dentista. Ou você vai dizer que ele não tinha a MAIOR cara de um? As mulheres se derretem ao ver aquele cara da dança celta com as mãos na cinturinha, sorrindo e dando uns saltos esquisitos pra cima e uns chutões com a perna reta igual a um cavalo adestrado. Nós, homens, só conseguimos achar engraçado pra caralho ou que ele esteja com um guarda-chuva aberto socado dentro do cu. E tome chute pra cima, né, Seu Baitôla? Como disse, sanidade 100% preservada!

Há tipos de dança onde os homens predominam, como, por exemplo, o sapateado. Essa técnica poderia muito bem ser classificada como uma forma de neurose severa, mas é ensinada em academias para jovens inocentes. Tudo bem que existiram sapateadores que levaram essa sandice à perfeição como Gregory Hines, Savion Glover e o espetacular Sammy Davis Jr., mas prefiro lembrar do tap dancing por meio daquela imagem clássica do imbecil batendo freneticamente os pezinhos a esmo no chão, com um chapéu de palhinha na cabeça, usando um paletó listrado e sacudindo uma bengala com as mãos pra cima e pra baixo e com o sorriso mais idiota do mundo na fuça! É até triste ver um ser humano em uma situação tão desesperadora e humilhante. Ah, isso sim é que é o sapateado pra mim... O despropósito inconseqüente e acéfalo em forma de dança! Mas se esse tipo de bailado não é praticado em boites e festas de casamento é porque os homens que dominam esse ofício não o levam tão a sério assim e não precisam impingir esse mambo-jambo inútil ao resto da população mundial. É mais um divertimento cretino, uma perversão, e não uma ação meticulosamente orquestrada para angariar prestígio com o sexo oposto. Ao contrário das mulheres que exigem que você saiba de cor a "dança do maxixe" só para ela achar você um cara bacana!

Temos também a dança em pares mistos, que as mulheres adoram. Mas forró, tango, lambada, dança de salão, etc. não passam de desculpas pra haver algum atrito entre a genitália de ambos os sexos. Cheek to cheek? Na verdade, seria muito mais para "Penis to clit". Depois da revolução sexual na década de 60 não se inventaram mais coreografias onde homem e mulher bailam colados. Por que? Porque isso era um pretexto para o casal ficar se sarrando e somente isso. Depois que as pessoas puderam copular sem tantos artifícios, só se dança separado. Existe dança tecno agarradinho? Se existir, é entre dois rapazolas e olhe lá e um deles vai estar de costas pro outro. O famoso menestrel Juca Chaves conta que em seus tempos de bailes "anos dourados", botava um drops em um bolso frontal da calça para que sua par logo o percebesse e se colocasse do lado oposto da "balinha", que era o lugar onde seu verdadeiro membro estava repousado. Coisa de gênio, sem dúvida.

As representantes do sexo feminino poderiam ser mais razoáveis e não exigir que os homens dançassem com elas. Se elas fazem tanto questão da presença masculina nesse ritual constrangedor e desnecessário, poderiam se exibir ritmicamente para os homens em festas, boites, casamentos, etc. e estes, sentados, aturariam essas performances coreográficas embaraçosas e assim satisfariam a obsessão sem sentido de suas esposas, namoradas e amigas. Ah, e se elas fossem tirando a roupa, seria melhor ainda! Puxa, é verdade, já existe esse tipo de "dança", né? As mulheres endossam também esse tipo de dança também ou não? Pô, mas é DANÇA, não é? Pensando bem essa é a única que nós homens achamos gostamos de participar de verdade, podem acreditar!

E você, dança?

quarta-feira, 2 de março de 2011

• Vida!

Não coma a vida com garfo e faca.

Lambuze-se!

Muita gente guarda a vida para o futuro.

Mesmo que a vida esteja na geladeira, se você não a viver, ela se deteriorará.

É por isso que tantas pessoas se sentem emboloradas na meia-idade.

Elas guardam a vida, não se entregam ao amor, ao trabalho, não ousaram, não foram em frente.

Depois, chega o momento em que se conscientizam:

"Puxa, passei fome para guardar essas batatas e elas apodreceram."

Não deixe sua vida ficar muito séria, saboreie tudo o que conseguir, as derrotas e as vitórias, a força do amanhecer e a poesia do anoitecer.

Como diz o poeta gaúcho Mário Quintana:

"Com o tempo, você vai percebendo que para ser feliz você precisa aprender a gostar de você, a cuidar de você e, principalmente, a gostar de quem também gosta de você. O segredo é não correr atrás das borboletas... é cuidar do jardim para que elas venham até você."

Aproveite cada momento.

Se não for você, quem será?

Se não for agora, quando então?

domingo, 27 de fevereiro de 2011

• A loira e o carro

Diário de uma loira que acabou de tirar a carteira de habilitação:

5 de Janeiro

Passei no exame de direção! Posso agora dirigir o meu próprio carro, sem ter que ouvir as recomendações dos instrutores, sempre dizendo "por aí é sentido Proibido!", " Vamos sair da contramão!" ,"Olha a velhinha! Freia!Freia!", e outras coisas do gênero. Nem sei como agüentei estes últimos dois anos e meio...


8 de Janeiro

A Auto Escola fez uma festa de despedida para mim. Os instrutores nem sequer deram aulas. Um deles disse que ia à missa, julgo que vi outro com lágrimas nos olhos e todos disseram que iam embebedar-se, para comemorar. Achei simpática a despedida, mas penso que a minha carteira não merecia tal exagero.


12 Janeiro

Comprei meu carro, e infelizmente tive que deixá-lo na concessionária para substituir o pára-choque traseiro pois, quando tentei sair, engatei marcha ré ao invés da primeira. Deve ser falta de prática. Há uma semana que não dirijo!


14 Janeiro

Já tenho o carro. Fiquei tão feliz ao sair da concessionária, que resolvi dar um passeio. Parece que muitos outros tiveram a mesma idéia, pois fui seguida por inúmeros automóveis, todos buzinando como num casamento. Para não parecer antipática, entrei na brincadeira e reduzi a velocidade de 10 para 5km por hora. Os outros gostaram e buzinaram ainda mais.


22 Janeiro

Os meus vizinhos são impecáveis. Colocaram posters avisando em grandes letras " ATENÇÃO AS MANOBRAS ", marcaram com tinta branca um lugar bem espaçoso para eu estacionar e proibiram os filhos de sair à rua enquanto durassem as manobras. Penso que é tudo para não me perturbarem. Ainda há gente boa neste mundo...


31 de Janeiro

Os outros motoristas estão sempre a buzinar e fazer gestos. Acho isso simpático, embora um pouco perigoso. É que um deles apontou para o céu com o dedo do meio. Quando procurei ver o que ele estava apontando, quase bati. Ainda bem que eu ia à minha velocidade de cruzeiro de 10km por hora.


10 de Fevereiro

Os outros motoristas tem hábitos estranhos. Além de acenarem muito, estão sempre gritando. Não escuto nada, por estar com os vidros fechados, mas parece que querem dar informações. Digo isto porque julgo ter percebido um dizendo " Vai para Casa". Acho isso espantoso. Não sei como ele adivinhou para onde eu ia. De qualquer modo, quando eu descobrir onde fica o botão que desce os vidros, vou tirar muitas dúvidas.


19 de Fevereiro

A Cidade é muito mal iluminada. Fiz hoje meu primeiro passeio noturno e tive de andar sempre com o farol alto aceso, para ver direito. Todos os motoristas com
quem me cruzei pareciam concordar comigo, pois também ligaram o farol alto e alguns chegaram mesmo a acender outros faróis que tinham. Só não percebi a razão das buzinadas. Talvez para espantar algum bicho. Sei lá.


26 de Fevereiro

Hoje me envolvi num acidente. Entrei numa rotatória, e como tinha muito carro (não quero exagerar, mas deviam ser, no mínimo, uns quatro), não consegui sair. Fui dando voltas bem juntinho ao centro, à espera de uma oportunidade, de tal forma que acabei por ficar tonta e bati no monumento no centro da rotatória. Acho que deviam limitar a circulação nas rotatórias a um carro de cada vez.


3 de Março

Estou em maré de azar. Fui buscar o carro na oficina e, logo à saída, troquei os pés, acelerando fundo em vez de frear. Bati num carro que ia passando, amassando todo o lado direito. O motorista era, por coincidência, o inspetor que me aprovou no exame de direção. Um bom homem, sem dúvida. Insisti em dizer que a culpa era minha, mas ele educadamente, não parava de repetir para si mesmo: "Que Deus me perdoe!
Que Deus me perdoe!"

Ai ai... essas loirinhas... =P

sábado, 12 de fevereiro de 2011

• A aliança

Um texto de Renato Mendes

Esta é uma história exemplar, só não está muito claro qual é o exemplo. De qualquer jeito, mantenha-a longe das crianças. Também não tem nada a ver com a crise brasileira, o apartheid, a situação na América Central ou no Oriente Médio ou a grande aventura do homem sobre a Terra. Situa-se no terreno mais baixo das pequenas aflições da classe média. Enfim. Aconteceu com um amigo meu. Fictício, claro.

Ele estava voltando para casa como fazia, com fidelidade rotineira, todos os dias à mesma hora. Um homem dos seus 40 anos, naquela idade em que já sabe que nunca será o dono de um cassino em Samarkand, com diamantes nos dentes, mas ainda pode esperar algumas surpresas da vida, como ganhar na loto ou furar-lhe um pneu. Furou-lhe um pneu. Com dificuldade ele encostou o carro no meio-fio e preparou-se para a batalha contra o macaco, não um dos grandes macacos que o desafiavam no jângal dos seus sonhos de infância, mas o macaco do seu carro tamanho médio, que provavelmente não funcionaria, resignação e reticências… Conseguiu fazer o macaco funcionar, ergueu o carro, trocou o pneu e já estava fechando o porta-malas quando a sua aliança escorregou pelo dedo sujo de óleo e caiu no chão. Ele deu um passo para pegar a aliança do asfalto, mas sem querer a chutou. A aliança bateu na roda de um carro que passava e voou para um bueiro. Onde desapareceu diante dos seus olhos, nos quais ele custou a acreditar. Limpou as mãos o melhor que pôde, entrou no carro e seguiu para casa. Começou a pensar no que diria para a mulher. Imaginou a cena. Ele entrando em casa e respondendo às perguntas da mulher antes de ela fazê-las.

— Você não sabe o que me aconteceu!

— O quê?

— Uma coisa incrível.

— O quê?

— Contando ninguém acredita.

— Conta!

— Você não nota nada de diferente em mim? Não está faltando nada?

— Não.

— Olhe.

E ele mostraria o dedo da aliança, sem a aliança.

— O que aconteceu?

E ele contaria. Tudo, exatamente como acontecera. O macaco. O óleo. A aliança no asfalto. O chute involuntário. E a aliança voando para o bueiro e desaparecendo.

— Que coisa – diria a mulher, calmamente.

— Não é difícil de acreditar?

— Não. É perfeitamente possível.

— Pois é. Eu…

— SEU CRETINO!

— Meu bem…

— Está me achando com cara de boba? De palhaça? Eu sei o que aconteceu com essa aliança. Você tirou do dedo para namorar. É ou não é? Para fazer um programa. Chega em casa a esta hora e ainda tem a cara-de-pau de inventar uma história em que só um imbecil acreditaria.

— Mas, meu bem…

— Eu sei onde está essa aliança. Perdida no tapete felpudo de algum motel. Dentro do ralo de alguma banheira redonda. Seu sem-vergonha!

E ela sairia de casa, com as crianças, sem querer ouvir explicações. Ele chegou em casa sem dizer nada. Por que o atraso? Muito trânsito. Por que essa cara? Nada, nada. E, finalmente:

— Que fim levou a sua aliança? E ele disse:

— Tirei para namorar. Para fazer um programa. E perdi no motel. Pronto. Não tenho desculpas. Se você quiser encerrar nosso casamento agora, eu compreenderei.

Ela fez cara de choro. Depois correu para o quarto e bateu com a porta. Dez minutos depois reapareceu. Disse que aquilo significava uma crise no casamento deles, mas que eles, com bom-senso, a venceriam.

— O mais importante é que você não mentiu pra mim.

E foi tratar do jantar.

A vida como ela é.

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

• Big Brother Brasil

Na visão de um leitor bem consciente

odennytadoido

Que me perdoem os ávidos telespectadores do Big Brother Brasil (BBB), produzido e organizado pela nossa distinta Rede Globo, mas conseguimos chegar ao fundo do poço...A décima primeira (está indo longe!) edição do BBB é uma síntese do que há de pior na TV brasileira. Chega a ser difícil,... encontrar as palavras adequadas para qualificar tamanho atentado à nossa modesta inteligência.

Dizem que em Roma, um dos maiores impérios que o mundo conheceu, teve seu fim marcado pela depravação dos valores morais do seu povo, principalmente pela banalização do sexo. O BBB é a pura e suprema banalização do sexo. Impossível assistir, ver este programa ao lado dos filhos. Gays, lésbicas, heteros... todos, na mesma casa, a casa dos “heróis”, como são chamados por Pedro Bial. Não tenho nada contra gays, acho que cada um faz da vida o que quer, mas sou contra safadeza ao vivo na TV, seja entre homossexuais ou heterosexuais. O BBB é a realidade em busca do IBOPE...

Veja como Pedro Bial tratou os participantes do BBB. Ele prometeu um “zoológico humano divertido” . Não sei se será divertido, mas parece bem variado na sua mistura de clichês e figuras típicas.

Pergunto-me, por exemplo, como um jornalista, documentarista e escritor como Pedro Bial que, faça-se justiça, cobriu a Queda do Muro de Berlim, se submete a ser apresentador de um programa desse nível. Em um e-mail que recebi há pouco tempo, Bial escreve maravilhosamente bem sobre a perda do humorista Bussunda referindo-se à pena de se morrer tão cedo.

Eu gostaria de perguntar, se ele não pensa que esse programa é a morte da cultura, de valores e princípios, da moral, da ética e da dignidade.

Outro dia, durante o intervalo de uma programação da Globo, um outro repórter acéfalo do BBB disse que, para ganhar o prêmio de um milhão e meio de reais, um Big Brother tem um caminho árduo pela frente, chamando-os de heróis. Caminho árduo? Heróis?

São esses nossos exemplos de heróis?

Caminho árduo para mim é aquele percorrido por milhões de brasileiros: profissionais da saúde, professores da rede pública (aliás, todos os professores), carteiros, lixeiros e tantos outros trabalhadores incansáveis que, diariamente, passam horas exercendo suas funções com dedicação, competência e amor, quase sempre mal remunerados..

Heróis, são milhares de brasileiros que sequer têm um prato de comida por dia e um colchão decente para dormir e conseguem sobreviver a isso, todo santo dia.

Heróis, são crianças e adultos que lutam contra doenças complicadíssimas porque não tiveram chance de ter uma vida mais saudável e digna.

Heróis, são aqueles que, apesar de ganharem um salário mínimo, pagam suas contas, restando apenas dezesseis reais para alimentação, como mostrado em outra reportagem apresentada, meses atrás pela própria Rede Globo.

O Big Brother Brasil não é um programa cultural, nem educativo, não acrescenta informações e conhecimentos intelectuais aos telespectadores, nem aos participantes, e não há qualquer outro estímulo como, por exemplo, o incentivo ao esporte, à música, à criatividade ou ao ensino de conceitos como valor, ética, trabalho e moral.

E ai vem algum psicólogo de vanguarda e me diz que o BBB ajuda a "entender o comportamento humano". Ah, tenha dó!!!

Veja o que está por de tra$ do BBB: José Neumani da Rádio Jovem Pan, fez um cálculo de que se vinte e nove milhões de pessoas ligarem a cada paredão, com o custo da ligação a trinta centavos, a Rede Globo e a Telefônica arrecadam oito milhões e setecentos mil reais. Eu vou repetir: oito milhões e setecentos mil reais a cada paredão.

Já imaginaram quanto poderia ser feito com essa quantia se fosse dedicada a programas de inclusão social: moradia, alimentação, ensino e saúde de muitos brasileiros?

(Poderiam ser feitas mais de 520 casas populares; ou comprar mais de 5.000 computadores!)

Essas palavras não são de revolta ou protesto, mas de vergonha e indignação, por ver tamanha aberração ter milhões de telespectadores.

Em vez de assistir ao BBB, que tal ler um livro, um poema de Mário Quintana ou de Neruda ou qualquer outra coisa..., ler a Bíblia, orar, meditar, passear com os filhos, ir ao cinema..., estudar... , ouvir boa música..., cuidar das flores e jardins... , telefonar para um amigo... , visitar os avós... , pescar..., brincar com as crianças... , namorar... ou simplesmente dormir.

Assistir ao BBB é ajudar a Globo a ganhar rios de dinheiro e destruir o que ainda resta dos valores sobre os quais foi construída nossa sociedade.

Um abismo chama outro abismo.


Quem souber o autor, manda ae pra gente

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

• Mulheres

"Certo dia parei para observar as mulheres e só pude concluir uma coisa: elas não são humanas. São espiãs. Espiãs de Deus, disfarçadas entre nós.

Pare para refletir sobre o sexto-sentido.
Alguém duvida de que ele exista?

E como explicar que ela saiba exatamente qual mulher, entre as presentes, em uma reunião, seja aquela que dá em cima de você?

E quando ela antecipa que alguém tem algo contra você, que alguém está ficando doente ou que você quer terminar o relacionamento?

E quando ela diz que vai fazer frio e manda você levar um casaco? Rio de Janeiro, 40 graus, você vai pegar um avião pra São Paulo. Só meia-hora de vôo. Ela fala pra você levar um casaco, porque "vai fazer frio". Você não leva. O que acontece?
O avião fica preso no tráfego, em terra, por quase duas horas, depois que você já entrou, antes de decolar. O ar condicionado chega a pingar gelo de tanto frio que faz lá dentro!

"Leve um sapato extra na mala, querido.
Vai que você pisa numa poça..."

Se você não levar o "sapato extra", meu amigo, leve dinheiro extra para comprar outro. Pois o seu estará, sem dúvida, molhado...

O sexto-sentido não faz sentido!

É a comunicação direta com Deus!
Assim é muito fácil...
As mulheres são mães!

E preparam, literalmente, gente dentro de si.
Será que Deus confiaria tamanha responsabilidade a um reles mortal?

E não satisfeitas em ensinar a vida elas insistem em ensinar a vivê-la, de forma íntegra, oferecendo amor incondicional e disponibilidade integral.
Fala-se em "praga de mãe", "amor de mãe", "coração de mãe"...

Tudo isso é meio mágico...

Talvez Ele tenha instalado o dispositivo "coração de mãe" nos "anjos da guarda" de Seus filhos (que, aliás, foram criados à Sua imagem e semelhança).

As mulheres choram. Ou vazam? Ou extravazam?

Homens também choram, mas é um choro diferente. As lágrimas das mulheres têm um não sei quê que não quer chorar, um não sei quê de fragilidade, um não sei quê de amor, um não sei quê de tempero divino, que tem um efeito devastador sobre os homens...

É choro feminino. É choro de mulher...

Já viram como as mulheres conversam com os olhos?

Elas conseguem pedir uma à outra para mudar de assunto com apenas um olhar.
Elas fazem um comentário sarcástico com outro olhar.
E apontam uma terceira pessoa com outro olhar.
Quantos tipos de olhar existem?

Elas conhecem todos...

Parece que freqüentam escolas diferentes das que freqüentam os homens!
E é com um desses milhões de olhares que elas enfeitiçam os homens.

EN-FEI-TI-ÇAM !

E tem mais! No tocante às profissões, por que se concentram nas áreas de Humanas?
Para estudar os homens, é claro!
Embora algumas disfarcem e estudem Exatas...

Nem mesmo Freud se arriscou a adentrar nessa seara. Ele, que estudou, como poucos, o comportamento humano, disse que a mulher era "um continente obscuro".
Quer evidência maior do que essa?
Qualquer um que ama se aproxima de Deus.
E com as mulheres também é assim.

O amor as leva para perto dEle, já que Ele é o próprio amor. Por isso dizem "estar nas nuvens", quando apaixonadas.

É sabido que as mulheres confundem sexo e amor.

E isso seria uma falha, se não obrigasse os homens a uma atitude mais sensível e respeitosa com a própria vida.

Pena que eles nunca verão as mulheres-anjos que têm ao lado.
Com todo esse amor de mãe, esposa e amiga, elas ainda são mulheres a maior parte do tempo.

Mas elas são anjos depois do sexo-amor.

É nessa hora que elas se sentem o próprio amor encarnado e voltam a ser anjos.

E levitam.

Algumas até voam.

Mas os homens não sabem disso.

E nem poderiam.

Porque são tomados por um encantamento
que os faz dormir nessa hora."

Verissimo.

domingo, 2 de janeiro de 2011

• A torcida da sua vida

Mesmo antes de nascer, já tinha alguém torcendo por você.

Tinha gente que torcia para você ser menino.
Outros torciam para você ser menina.

Torciam para você puxar a beleza da mãe, o bom humor do pai.

Estavam torcendo para você nascer perfeito.

Daí continuaram torcendo.

Torceram pelo seu primeiro sorriso, pela primeira palavra,
pelo primeiro passo.

O seu primeiro dia de escola foi a maior torcida.
E o primeiro gol, então?

E de tanto torcerem por você, você aprendeu a torcer.

Começou a torcer para ganhar muitos presentes e
flagrar Papai Noel.

Torcia o nariz para o quiabo e a escarola.

Mas torcia por hambúrguer e refrigerante.

Começou a torcer até para um time.

Provavelmente, nesse dia, você descobriu que tem gente
que torce diferente de você.

Seus pais torciam para você comer de boca fechada,
tomar banho, escovar os dentes, estudar inglês e piano.

Eles só estavam torcendo para você ser uma pessoa bacana.

Seus amigos torciam para você usar brinco, cabular aula,
falar palavrão.

Eles também estavam torcendo para você ser bacana.

Nessas horas, você só torcia para não ter nascido.

E por não saber pelo que você torcia, torcia torcido.

Torceu para seus irmãos se ferrarem, torceu para o mundo explodir.

E quando os hormônios começaram a torcer, torceu pelo primeiro
beijo, pelo primeiro amasso.

Depois começou a torcer pela sua liberdade.

Torcia para viajar com a turma, ficar até tarde na rua.

Sua mãe só torcia para você chegar vivo em casa.

Passou a torcer o nariz para as roupas da sua irmã, para as
idéias dos professores e para qualquer opinião dos seus pais.

Todo mundo queria era torcer o seu pescoço.

Foi quando até você começou a torcer pelo seu futuro.

Torceu para ser médico, músico, advogado.

Na dúvida, torceu para ser físico nuclear ou jogador de futebol.

Seus pais torciam para passar logo essa fase.

No dia do vestibular, uma grande torcida se formou.

Pais, avós, vizinhos, namoradas e todos os santos
torceram por você.

Na faculdade, então, era torcida pra todo lado.

Para a direita, esquerda, contra a corrupção, a fome na
Albânia e o preço da coxinha na cantina.

E, de torcida em torcida, um dia teve um torcicolo de
tanto olhar para ela.

Primeiro, torceu para ela não ter outro.

Torceu para ela não te achar muito baixo, muito alto, muito
gordo, muito magro.

Descobriu que ela torcia igual a você.

E de repente vocês estavam torcendo para não acordar
desse sonho.

Torceram para ganhar a geladeira, o microondas e a grana
para a viagem de lua-de-mel.

E daí pra frente você entendeu que a vida é uma grande torcida.

Porque, mesmo antes do seu filho nascer, já tinha muita
gente torcendo por ele.

Mesmo com toda essa torcida, pode ser que você ainda
não tenha conquistado algumas coisas.

Mas muita gente ainda torce por você!

"Se procurar bem você acaba encontrando.
Não a explicação (duvidosa), mas a poesia
(inexplicável) da vida."

Carlos Drummond de Andrade

domingo, 19 de dezembro de 2010

• Cenoura, ovo ou café?

Uma filha se queixou a seu pai sobre sua vida e de como as coisas estavam tão difíceis para ela. Ela já não sabia mais o que fazer e queria desistir.

Estava cansada de lutar e combater. Parecia que assim que um problema estava resolvido um outro surgia. Seu pai, um chef, levou-a até a cozinha dele.

Encheu três panelas com água e colocou cada uma delas em fogo alto.

Em uma ele colocou cenouras, em outra colocou ovos e na última, pó de café.

Deixou que tudo fervesse, sem dizer uma palavra.

A filha deu um suspiro e esperou impacientemente, imaginando o que ele estaria fazendo.

Cerca de vinte minutos depois, ele apagou as bocas de gás. Pescou as cenouras e as colocou em uma tigela. Retirou os ovos e os colocou em uma tigela.

Então pegou o café com uma concha e o colocou em uma tigela.

Virando-se para ela, perguntou:

- "Querida, o que você está vendo?"

- "Cenouras, ovos e café," ela respondeu.

Ele a trouxe para mais perto e pediu-lhe para experimentar as cenouras. Ela obedeceu e notou que as cenouras estavam macias.

Ele, então, pediu-lhe que pegasse um ovo e o quebrasse.

Ela obedeceu e depois de retirar a casca verificou que o ovo endurecera com a fervura.

Finalmente, ele lhe pediu que tomasse um gole do café. Ela sorriu ao provar seu aroma delicioso.

- "O que isto significa, pai?"

Ele explicou que cada um deles havia enfrentado a mesma adversidade, a água fervendo, mas que cada um reagira de maneira diferente.

A cenoura entrara forte, firme e inflexível, mas depois de ter sido submetida à água fervendo, ela amolecera e se tornara frágil.

Os ovos eram frágeis sua casca fina havia protegido o líquido interior, mas depois de terem sido fervidos na água, seu interior se tornara mais rijo.

O pó de café, contudo, era incomparável depois que fora colocado na água fervente, ele havia mudado a água.

Ele perguntou à filha:

- Qual deles é você, minha querida? Quando a adversidade bate à sua porta, como você responde? Você é como a cenoura que parece forte, mas com a dor e a adversidade
você murcha, torna-se frágil e perde sua força? Ou será você como o ovo, que começa com um coração maleável, mas que depois de alguma perda ou decepção se torna mais duro, apesar de a casca parecer a mesma? Ou será que você é como o pó de café, capaz de transformar a adversidade em algo melhor ainda do que ele próprio?

Somos nós os responsáveis pelas próprias decisões. Cabe a nós - somente a nós - decidir se a suposta crise irá ou não afetar nosso rendimento profissional, nossos
relacionamentos pessoais, nossa vida enfim. Ao ouvir outras pessoas reclamando da situação, ofereça uma palavra positiva. Mas você precisa acreditar nisso. Confiar
que você tem capacidade e tenacidade suficientes para superar mais este desafio.


"Uma vida não tem importância se não for capaz de impactar positivamente outras vidas"

• O motorista de Einstein

Quando Einstein descobriu a Teoria da Relatividade, todos queriam que ele fosse até universidades etc, para explicar sua descoberta. Um dia, quando estava muito cansado, pediu para o seu motorista que explicasse a teoria, já que este assistia à "palestra" todos os dias. Eles trocaram suas roupas e foram.

O motorista havia explicado muito bem a teoria e como chegou a esta conclusão.

O que ele não esperava é que um dos presentes fizesse uma pergunta que somente Einstein poderia responder.

Muito inteligente, o motorista respondeu, apontando para Einstein vestido de motorista:

- Esta pergunta é tão fácil que deixarei meu "motorista" responder.


História verídica.

domingo, 5 de dezembro de 2010

• Vida de casado

Texto de Luis Fernando Veríssimo

(Entra em casa)

- Oi!

- Oi!

- Trabalhou muito?

- Sim.

- Tá cansado?

- Um pouco.

- Toma um banho!

- Vou sim... preciso.......

(Banho.)

- Ué... vai sair?

- Vou dar uma volta.

- Sozinho?

- É... sozinho.

- Vai aonde?

- Por aí.

- Sozinho?

- É.

- Certeza?

- Sim.

- Quer que eu vá com você?

- Não... pode deixar... prefiro ir sozinho.

- Vai sozinho andar pela cidade?

- É.

- De carro?

- Sim.

- Tem gasolina?

- Sim... coloquei.

- Vai demorar?

- Não... coisa de uma hora.

- Vai a algum lugar específico?

- Não... só rodar por aí.

- Não prefere ir a pé?

- Não... vou de carro.

- Traz um sorvete pra mim!

- Trago... que sabor?

- Manga.

- Ok... na volta eu passo e compro.

- Na volta?

- Sim... senão derrete.

- Passa lá, compra e deixa aqui.

- Não... melhor não! Na volta... é rápido!

- Ahhhhh!

- Quando eu voltar eu tomo com você!

- Mas você não gosta de manga!

- Eu compro outro... de outro sabor.

- Aí fica caro... traz de cupuaçu!

- Eu não gosto também.

- Traz de chocolate... nós dois gostamos.

- Ok! Beijo... volto logo...

- Ei!

- O que?

- Chocolate não... Flocos...

- Não gosto de flocos!

- Então traz de manga prá mim e o que quiser prá você.

- Foi o que sugeri desde o começo!

- Você está sendo irônico?

- Não... tô não! Vou indo.

- Vem aqui me dar um beijo de despedida!

- Querida! Eu volto logo... depois.

- Depois não... quero agora!

- Tá bom!

(Beijo.)

- Vai com o seu ou com o meu carro?

- Com o meu.

- Vai com o meu... tem cd player... o seu não!

- Não vou ouvir música... vou espairecer...

- Tá precisando?

- Não sei... vou ver quando sair!

- Demora não!

- É rápido...

(Abre a porta de casa.)

- Ei!

- Que foi agora?

- Nossa!!! Que grosso! Vai embora!

- Calma... estou tentando sair e não consigo!

- Porque quer ir sozinho? Vai encontrar alguém?

- O que quer dizer?

- Nada... nada não!

- Vem cá... acha que estou te traindo?

- Não... claro que não... mas sabe como é?

- Como é o quê?

- Homens!

- Generalizando ou falando de mim?

- Generalizando.

- Então não é meu caso... sabe que eu não faria isso!

- Tá bom... então vai.

- Vou.

- Ei!

- Que foi, cacete?

- Leva o celular, estúpido!

- Prá quê? Prá você ficar me ligando?

- Não... caso aconteça algo, estará com celular.

- Não... pode deixar...

- Olha... desculpa pela desconfiança... estou com saudade... só isso!

- Ok meu amor... Desculpe-me se fui grosso. Tá.. eu te amo!

- Eu também!

- Posso futricar no seu celular?

- Prá quê?

- Sei lá! Joguinho!

- Você quer meu celular prá jogar?

- É.

- Tem certeza?

- Sim.

- Liga o computador... lá tem um monte de joguinhos!

- Não sei mexer naquela lata velha!

- Lata velha? Comprei pra a gente mês passado!

- Tá.. ok... então leva o celular senão eu vou futricar...

- Pode mexer então... não tem nada lá mesmo...

- É?

- É.

- Então onde está?

- O quê?

- O que deveria estar no celular mas não está...

- Como!?

- Nada! Esquece!

- Tá nervosa?

- Não... tô não...

- Então vou!

- Ei!

- Que ééééééé?

- Não quero mais sorvete não!

- Ah é?

- É!

- Então eu também não vou sair mais não!

- Ah é?

- É.

- Oba! Vai ficar comigo?

- Não vou não... cansei... vou dormir!

- Prefere dormir do que ficar comigo?

- Não... vou dormir, só isso!

- Está nervoso?

- Claro, porra!!!

- Por que você não vai dar uma volta para espairecer?

sábado, 4 de dezembro de 2010

• Campanha contra

motoristas nazarentos

O cara que escreveu isso estava muito puto
Adriana Silva por e-mail

Dicas rápidas para você aprender a não FODER com os outros motoristas que sabem dirigir, no trânsito caótico brasileiro.

1. No semáforo, deixe a porra da primeira marcha engatada e quando o sinal abrir arranque. Não espere que o motorista de trás tenha que te lembrar.

2. Quando um outro motorista ligar a seta avisando que precisa entrar na pista que você está, deixe de ser filho da puta e deixe o cara passar. Certamente vai acontecer com você um dia e tu vai ficar puto(a) e histérico(a) se o outro não deixar você entrar.

3. Se você não sabe fazer baliza, tenha humildade e procure uma vaga mais fácil ao invés de ficar fodendo a vida de quem está com pressa. Ah! Se você não gosta do seu carro, problema é seu. Isso não quer dizer que os outros motoristas acham legal que fiquem dando totó nos seus carros para estacionar.

4. Largue de ser cavalo e aprenda que se a merda da placa do radar diz 60Km/h, é 60 de verdade e não 20 Km/h disfarçado, seu bosta.

5. A vida anda muito corrida, por isso, se você gosta de passear pelas vias a 30Km/h, faça isso às 5h da manhã, babaca.

6. E por falar em passear, tem os vagabundos donos de rua que não saem da pista da esquerda e teimam andar a 20km/h numa pista de 80km/h. Se você ver alguém no seu retrovisor querendo passar, pode ser um mala filho de uma puta ou uma emergência. Como você não é a Mãe Diná, não vai te cair as pernas se deixar o apressadinho passar.

7. Que tal dar sinal de que vai entrar em alguma rua se você percebe que tem algum motorista esperando sua importante escolha?

8. Se o seu namorado vai te deixar na frente do shopping, deixem as preliminares para um local apropriado. Certamente não vai ser a última vez que você vai vê-lo, portanto, dê tchau e suma do carro, caralho!!!!

9. Essa é pra você, filho da puta frustrado sexualmente que adora botar o rabo numa moto barulhenta do caralho: Por que você não bota a orelha na merda do escapamento aberto e acelera? Todo mundo sabe que o barulho da sua moto é inversamente proporcional ao seu trato com as mulheres.

10. Nossa, um acidente!!! Será que machucou alguém conhecido?? Qual é, nunca viu uma porra de uma lanterna quebrada? Então anda logo seu viado, que você não precisa ficar olhando com cara de otário pra ver a desgraça dos outros ou qualquer coisinha que acontece no trânsito e andando como se estivesse num cortejo fúnebre.

11. Outra coisa que irrita são aqueles filhos da puta que geralmente desfilam com uma piranha do lado e param o carro na vaga de idoso ou de deficiente. Isso porque tem duas pernas e um cu funcionando, porque merecia uma surra pra realmente precisar estacionar ali. Então, mesmo na pressa, deixa de ser mané e vai procurar tua vaga!

Isto NÃO É UMA CORRENTE.

SE VOCÊ NÃO PASSAR, SEU BRAÇO NÃO VAI CAIR , MAS QUANDO FIZEREM UMA CAGADA NA FRENTE DO SEU CARRO... LEMBRE QUE VOCÊ NÃO COLABOROU .


O e-mail da Zona é odennytadoido@gmail.com

terça-feira, 23 de novembro de 2010

• O que falta no texto?

O que está ausente no texto abaixo?

Sem nenhum tropeço, posso escrever o que quiser sem ele, pois rico é o português e fértil em recursos diversos, tudo permitindo, mesmo o que de início, e somente de início, se pode ter como impossível.

Pode-se dizer tudo, com sentido completo, como se isto fosse mero ovo de Colombo.
Desde que se tente sem se pôr inibido, pode muito bem o leitor empreender este belo exercício, dentro do nosso fecundo e peregrino dizer português, puríssimo instrumento dos nossos melhores escritores e mestres do verso, instrumento que nos legou monumentos dignos de eterno e honroso reconhecimento.

Trechos difíceis se resolvem com sinônimos. Observe-se bem: é certo que, em se querendo, esgrime-se sem limites com este divertimento instrutivo.

Brinque-se mesmo com tudo. É um belíssimo esporte do intelecto, pois escrevemos o que quisermos sem o "E" ou sem o "I" ou sem o "O" e, conforme meu exclusivo desejo, escolherei outro, discorrendo livremente, por exemplo, sem o "P", "R" ou "F", ou o que quiser escolher.

Podemos, em estilo corrente, repetir sempre um som ou mesmo escrever sem verbos.

Com o concurso de termos escolhidos, isso pode ir longe, escrevendo-se todo um discurso, um conto ou um livro inteiro sobre o que o leitor melhor preferir.

Porém mesmo sem o uso pernóstico dos termos difíceis, muito e muito se prossegue do mesmo modo, discorrendo sobre o objeto escolhido, sem impedimentos.

Deploro sempre ver moços deste século inconscientemente esquecerem e oprimirem nosso português, hoje culto e belo, querendo substituí-lo pelo inglês.

Por quê? Cultivemos nosso polifônico e fecundo verbo, doce e melodioso, porém incisivo e forte, messe de luminosos estilos, voz de muitos povos, escrínio de belos versos e de imenso porte, ninho de cisnes e de condores.

Honremos o que é nosso, ó moços estudiosos, escritores e professores. Honremos o digníssimo modo de dizer que nos legou um povo humilde, porém viril e cheio de sentimentos estéticos, pugilo de heróis e de nobres descobridores de mundos novos.

Descobriu?

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

• Politicamente correto

- Querido, você me acha bonita?

- Eu não diria bonita, pois se trata de um conceito adotado pelas classes dominantes para classificar animais humanos dentro de padrões de beleza culturalmente preestabelecidos.

- Isso quer dizer que sou feia?

- Cosmeticamente diferente é o termo mais adequado.

- Mas, você ainda me ama?

- O amor é um sentimento inventado pela burguesia com intuito o de subjugar os indivíduos ao único modo de pensar a sociedade, tirando-lhes a razão e o senso crítico.

- E daí?

- Daí, que nutro por você um sentimento de co-participação em interesses de ordem habitacional, econômica e sexual.

- O quê? Quer dizer que você só me quer como faxineira e prostituta?

- Não se diz faxineira e, sim, higienizadora ambiental. E tratar parceiras sexuais alugadas como prostitutas não é politicamente correto.

- Você deve estar louco.

- Emocionalmente fora do padrão.

- Bem que me avisaram que você era um chato.

- Chato não, pessoa interessante de maneira diferente.

- Como fui cega...

- Desprovida de capacidade visual é mais correto.

- Não sei por que casei com você!

- Você não sabe porque se submeteu a uma prostituição oficializada.

- Idiota.

- Pessoa com idéia fixa.

- Pra mim, chega! Vou procurar um amante que me queira.

- Você não precisa recorrer a este tipo de relacionamento com padrão não convencional, nós ainda podemos partilhar uma co-existência saudável como duas pessoas com referências diferenciadas da cultura dominante.

- Prefiro conviver com um lavador de carros a continuar com você!

- Sua preferência em manter uma co-habitação de caráter afetivo com um especialista em aparências de veículos, não lhe dá o direito de comparar opções de meio de sobrevivência alternativo com o meu comportamento que se diferencia dos dogmas do status-quo.

- Ah, por que você não pode ser uma pessoa normal?

- A normalidade é uma convenção imposta.

- Chega, não agüento mais! Quero que você morra.

- O que você deseja é ver -me transformado num indivíduo metabolicamente inviável.

Ela pega o revólver que está sobre o criado-mudo, ou melhor: ela pega o revólver que está sobre o auxiliar doméstico oralmente prejudicado e atira no peito dele. Ao vê-lo caído no chão, todo ensangüentado, ela o abraça.

- Perdão, querido, eu sou uma burra!

No último suspiro, ele a corrige.

- Pessoa com uma lógica muito particular.

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

• Do flerte ao casamento

Mais um ótimo texto para vocês refletirem sobre.


FLERTE

É quando ela é toda sorrisos e, você, cheio de nove-horas e gentilezas.

Ficam naquela conversa mole por mais de 10 minutos, riem de qualquer bobagem que um fala pro outro.

E, quando ela anda, você crava os olhos naquele belo traseiro, imaginando coisas...

Isto é um flerte. Este é um estágio do relacionamento, que só tem vantagens.

Você a chama para sair, a noite toda é só de risadas e bons momentos.

Mas, depois do primeiro amasso, isso já vira um...


CASO

Esta é outra etapa gostosa.

Começa a rolar um sexozinho, mas nada muito adiantado, porque, afinal, ela não é qualquer uma.

Daí, já pinta aquele negócio de ligar um pro outro a cada 15 minutos, só pra dizer que está com saudades.

Começam a sair mais constantemente e rola aquele papo de 'Temos um relacionamento'.

Mas se esse relacionamento durar mais de 1 mês, pronto, aí já é um...


NAMORO

Isto significa que você não pode mais comer ninguém, além dela.

Nem mesmo dar uns beijinhos ou olhar pra traseira de outra.

Tem que ligar todo dia, mesmo se não estiver com saudades, senão...

Sair sábado com os amigos? Esqueça!

Rever as amigas? Pior ainda!

Nesta fase, você ainda está apaixonado e aceita tudo que ela faz, pede e fala.

Tudo gira em torno dela: horários, passeios, amigos, turmas...

E quando menos espera, aquela deusa maravilhosa, a mulher da sua vida, a mais perfeita descrição de um ser humano, te põe um cabresto, coloca as esporas e monta em você.

Isto vai te deixar mal, desanimado, triste... Mas, como você gosta dela, aceita tudo.

Até a idéia de comprar as alianças. É quando você acaba, quase sem perceber, num...


NOIVADO

Pois é... Agora você já se comprometeu com Deus e o mundo.

Se não casar, fica com fama de hipócrita, sem-vergonha, mau caráter, aquele que só queria se aproveitar da coitadinha.... E pra não passar por isso, acaba aceitando o...


CASAMENTO

Fudeu. Agora, não tem mais tempo pra nada, a não ser trabalhar pra ganhar dinheiro e dar uma vida confortável pra ela, que vai gastar tudo no seu cartão de crédito.

Pior que isso, só se tiver filhos. Aí, vai ter que trabalhar dobrado, ou triplicado, quadriplicado, dependendo do tamanho da prole.


Por isso, pense bem amigo, antes de se enforcar. A Zona deu a letra.

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

• Tesão de vaca

Que negócio é esse?

Em um obscuro momento, entre a 6ª e a 8ª série, algum colega de sala, metido a espertalhão, vai chegar para você, com os olhos brilhando, tal como tivesse descoberto a pedra filosofal jogada a esmo no armário do vovô.

Ele irá lhe contar tranqüilamente que existe na natureza uma substância espetacular chamada de "Tesão de Vaca", capaz de resolver um certo probleminha bobo que o resto dos homens não conseguiu solucionar em milhões de anos: sexo sem esforço!

Não importa se documentários sobre a vida animal volta e meia mostrem dois cabritos monteses se esfalfando herculeamente para pulverizarem seus respectivos chifres à base de cabeçadas titânicas só pelo direito básico de se reproduzirem por um brevíssimo momento.


Sim, meu caro, esqueça tudo o que lhe disseram antes sobre esse assunto. O Tesão de Vaca é um "negócio" que você põe na bebida de qualquer garota e que tem o prosaico efeito de resultar em que ela queira fazer sexo descontroladamente com o primeiro que encontrar! Mas que formidável, hein?

Isso mesmo, apesar de desde a mais tenra infância você ter sido regularmente ensinado a entender claramente a diferença entre fantasia e realidade, ficção e imaginário, contos de fadas e a página policial dos jornais, super-heróis e aquele seu tio bêbado motorista de táxi... veja você, deixaram escapulir essa mágica no nosso mundo real! Que maneiro, uma substância que fará com que você, no alto dos seus 13 anos, coma qualquer mulher do mundo sem o menor trabalho!

E você que já estava começando a achar que a vida era mesmo dura como seu pai vive apregoando, hein? Que velho mais cagão! Você até chegou a cogitar que o que ele fala poderia ser verdade graças às 125 páginas que o cretino do seu professor de História manda sua turma decorar para um possível teste-surpresa que nunca acontece. Ou pelo murro no estômago que, Afonsinho, o repetente barbado da sua rua, lhe aplicou quando você riu do seu novo corte de cabelo estilo "sócio-atleta da Febem".

Mas agora, tudo isso cai por terra quando "Tesão de Vaca", essa nova e miraculosa infusão, chega para fazer com que você pule, pelo menos, umas 74 árduas etapas da conquista amorosa e leve ao que, hoje, você está 100% convicto que realmente interessa: comer todas as garotas da sua sala, comer sua professora, comer suas primas, comer sua empregada, comer a atriz da novela, comer aquela extraterrestre gostosa do desenho animado japonês e, finalmente... comer todas as mulheres do mundo!

Seu amigão vai lhe contar que o Tesão funciona mesmo! Por exemplo, aquela garota bem bonita da sua sala, que faz questão de ignorar você desde o tempo do prezinho, agora está fudida porque na primeira chance que você tiver, ela vai beber uma Mirinda Uva batizada por você (que engraçado isso, não?) com o fabuloso Tesão de Vaca e vai virar sua escrava sexual durante alguns minutos! Bem feito, quem mandou ser tão otária?

Na verdade, Tesão de Vaca é uma lenda urbana que há anos se prolifera exponencialmente devido ao adubado campo da mente de pré-adolescentes, cegos pelo excesso de libido e pela mais absoluta falta de um milímetro sequer de bom senso, graças a uma estapafúrdia lógica caótica proto-freudiana propagandeada exponencialmente por essa história.


O chamado "Tesão de Vaca" é um termo veterinário designado para um hormônio utilizado para estimular o cruzamento entre bovinos. Não passa disso. Vale lembrar ainda que não estamos vivendo mais na Idade Média onde haviam anúncios categóricos de poções miraculosas que prometiam curar amputações de cabeça ou simplesmente fazer com que dragões ferozes alegremente puxassem um arado.

Entretanto hoje, garotos bem alimentados, filhos de uma burguesia quase agnóstica, acreditam piamente nesse catimbó de quinta categoria em pleno século 21! O mais impressionante é que se você perguntar sobre o Tesão de Vaca em uma escola pública de Porto Alegre ou em um vetusto colégio particular de Fortaleza, a história será mais ou menos a mesma: alguém pôs o negócio na bebida de uma garota inocente, ela inadvertidamente o bebeu e, devido a uma compulsão incontrolável para dar, digamos assim, a "jóia da família", saiu em desabalada carreira, e, tempo depois, foi encontrada morta, sentada em uma marcha de caminhão ou de Corcel ou de Chevette... trágico, não?

Esse roteiro se repete ad infinitum com pequenas variações e o mais incrível é que ele nunca foi mostrado em nenhum veículo de comunicação de massa como televisão, jornal ou rádio! E todo mundo compartilha da mesma seqüência de fatos! Como isso se explicaria? Seria um fenômeno do famoso inconsciente coletivo? Como essa lenda se proliferou tão solidamente e de maneira tão insidiosa? O que estaria por trás disto? A mais cristalina estupidez? Não, seria essa uma resposta muito fácil e excitante...

Numa primeira análise lógica, já podemos delinear algumas conclusões básicas: salta aos olhos a vocação inerente de todo noviço do sexo masculino em se reproduzir absolutamente sem o menor critério, mas sem o menor critério mesmo, diga-se.


Na aurora de sua atrapalhada vida sexual, o pequenino rapazola até possui uma vaga idéia de qual seja o seu objetivo, porém desconhece miseravelmente os caminhos tortuosos que terá que trilhar para atingi-lo. Então, quando algum gaiato qualquer lhe oferece uma espécie vagabunda de atalho, ele alegremente aceita-o de ótimo grado, esfregando as maõzinhas e lambendo os beiços, mas, óbvio, sem questionar a veracidade dessa proposta, por mais absurda que ela seja.

Já à luz de um enfoque biológico, uma possível explicação poderia se esconder em uma estrutura presente na base de nosso córtex cerebral denominada Complexo Límbico ou Complexo R, herança direta dos, ora vejam só, lagartos (!!!), que é detentora dos instintos mais básicos do homem, como, por exemplo, comer, dormir, empalar a sogra, olhar para o cocô antes de dar descarga e se reproduzir. Esses preguiçosos hóspedes do complexo R, vez por outra, conseguem se desvencilhar de camadas e camadas de traços adquiridos de civilização para dominar completamente nossas ações cotidianas, devido a sua antigüidade, envergadura, malícia e subestimada influência na formação do nosso subconsciente.


Assim, você pode testemunhar seu pai, famoso por possuir o senso de humor de um sargento do exército turco, começar repentinamente a ficar simpático e metido a engraçadinho quando as amigas gostosinhas da sua irmã vão estudar na sua casa. Essas poderosas forças anciãs da nossa natureza estrutural ainda hoje são capazes de moldar o comportamento social de milhares de homens que, em última instância, acabam por achar plenamente razoável dopar uma mulher para fuder!

A própria história que vem em anexo à lenda do Tesão é um primor de entretenimento e auto-preservação. É dramática, excitante e trágica! Parece Shakespeare misturado com pornochanchada! Vejam só: a única testemunha que poderia desmentir toda essa lenda, a garota, teve que morrer de modo trágico-erotizante.


Assim, a veracidade sobre a eficiência do Tesão de Vaca mantém-se preservada. E também traz em seu seio arquétipos extremamente popularescos e de grande valor no universo masculino: sexo, morte e... Chevettes! Nem nos melhores folhetins mexicanos teríamos elementos tão dramáticos e apelativos como os listados acima! É óbvio que um libreto tão ardiloso e bem estruturado como esse só poderia estar fadado a um sucesso absoluto! É um campeão de audiência por natureza!

O mais bizarro de toda essa história é que, na época, você acreditou piamente quando lhe falaram dos espetaculares poderes do Tesão de Vaca. Você instantaneamente exultou de alegria e fervor quase místico quando lhe contaram essa conversa mole, essa história de pescador, esse imbróglio pinochio-munchausiano: "uma poção mágica que faz a mulher dar! E por que não? É claro que existe! Existe sim, existe sim! Aleluia, aleluia!", disse você para si mesmo quase chorando! Mas isso foi há muito tempo, quando você era apenas mais um moleque vibrão e apatetado descobrindo o mundo. Ainda bem que agora tudo mudou...


Mas será que hoje, já maduro e vivido, você não estaria sendo agora vítima também de algum outro "Tesão de Vaca" invertido, disfarçado naquela cerveja socializante com os amigos, naquele whisky necessário para abordar aquela garota na festa ou na caipirinha potencializadora da sua libido? Ou até, quem sabe, progredir para aquela prosaica catuaba ou o até no seu miraculoso Viagra de hoje em dia? Provavelmente não, pois hoje você não acredita mais nesse tipo de "negócio", não é?

Como assim? Tesão de Vaca é uma lenda? As meninas não estavam hipnotizadas? Oh God, fui enganado?

sábado, 30 de outubro de 2010

• O assalto

Ligação telefônica para um banco:

- Alô? Quem tá falando?

- Aqui é o ladrão.

- Desculpe, a telefonista deve ter se enganado, eu não queria falar com o dono do banco. Tem algum funcionário aí?

- Não, os funcionários tá tudo refém.

- Há, eu entendo. Afinal, eles trabalham quatorze horas por dia, ganham um salário ridículo, vivem levando esporro, mas não pedem demissão porque não encontram outro emprego, né? Vida difícil... mas será que eu não poderia dar uma palavrinha com um deles?

- Impossível. Eles tá tudo amordaçado.

- Foi o que pensei. Gestão moderna, né? Se fizerem qualquer crítica, vão pro olho da rua. Não haverá, então, algum chefe por aí?

- Claro que não mermão. Quanta inguinorânça! O chefe tá na cadeia, que é o lugar mais seguro pra se comandar assalto!

- Bom... Sabe o que que é? Eu tenho uma conta....

- Tamo levando tudo, ô bacana. O saldo da tua conta é zero!

- Não, isso eu já sabia. Eu sou professor! O que eu queria mesmo era uma informação sobre juro.

- Companheiro, eu sou um ladrão pé-de-chinelo. Meu negócio é pequeno. Assalto a banco, vez ou outra um seqüestro. Pra saber de juro é melhor tu ligá pra Brasília.

- Sei, sei. O senhor tá na informalidade, né? Também, com o preço que tão cobrando por um voto hoje em dia.... mas, será que não podia fazer um favor pra mim? É que eu atrasei o pagamento do cartão e queria saber quanto vou pagar de taxa.

- Tu tá pensando que eu tô brincando? Isso é um assalto!

- Longe de mim pensar que o senhor está de brincadeira! Que é um assalto eu sei perfeitamente; ninguém no mundo cobra os juros que cobram no Brasil. Mas queria saber o número preciso: seis por cento, sete por cento?

- Eu acho que tu não tá entendendo, ô mané. Sou assaltante. Trabalho na base da intimidação e da chantagem, saca?

- Ah, já tava esperando. Você vai querer vender um seguro de vida ou um título de capitalização, né?

- Não.... já falei... eu sou... Peraí bacana... hoje eu tô bonzinho e vou quebrar o teu galho.

(um minuto depois)

- Alô? O sujeito aqui tá dizendo que é oito por cento ao mês.

- Puxa, que incrível!

- Incrive por que? Tu achava que era menos?

- Não, achava que era mais ou menos isso mesmo. Tô impressionado é que, pela primeira vez na vida, eu consegui obter uma informação de uma empresa prestadora de serviço pelo telefone em menos de meia hora e sem ouvir 'Pour Elise'.

- Quer saber? Fui com a tua cara. Acabei de dar umas bordoadas no gerente e ele falou que vai te dar um desconto. Só vai te cobrar quatro por cento, tá ligado?

- Não acredito! E eu não vou ter que comprar nenhum produto do banco?

- Nadica de nada, já tá tudo acertado!

- Muito obrigado, meu senhor. Nunca fui tratado dessa...

(De repente, ouvem-se tiros, gritos)

- Ih, sujou! Puliça!

- Polícia? Que polícia? Alô? Alô?

(sinal de ocupado)

- Droga! Maldito Estado: quando o negócio começa a funcionar, entra o Governo e caga tudo!

Luís Fernando Veríssimo

terça-feira, 5 de outubro de 2010

• Sabe com quem

você está falando?

Física Quântica: indicada para casos crônicos de falta de humildade.

Acabei de ler este livro que está aí na lateral do blog e recomendo para quem gosta de filosofia e sempre se pergunta o "porque" das coisas. Mario Sergio Cortella é filósofo, mestre e doutor em Educação pela PUC de São Paulo. Estou transcrevendo abaixo um trecho que achei bem interessante. Sabe quando você encontra com aquela pessoa que se acha muita coisa e te pergunta: "Sabe com quem você está falando?"


Eis uma boa resposta:

Space---Andromeda-Galaxy

"Quando se pensa e se faz o trabalho como obra poética em vez de sofrimento costumaz, sempre vem à mente a questão do “trabalho digno”, isto é, aqueles ou aquelas que se consideram superiores como seres humanos apenas porque têm um emprego socialmente mais valorizado. Aliás, é sempre nesses casos que entra em cena o famoso “sabe com quem você está falando?”

Um dia procurei representar uma possível resposta científica a essa arrogante pergunta, e, de forma sintética, registrei essa representação em um livro meu chamado A escola e o conhecimento (Cortez); agora, de forma mais extensa e coloquial, aqui vai este relato, partindo do nosso lugar maior, o universo, até chegar a nós. Hoje, em física quântica, não se fala mais um universo, mas em multiverso.

A suposição de que exista um único universo não tem mais lugar na Física. A ciência fala em multiverso e que estamos em um dos universos possíveis. Este tem provavelmente o formato cilíndrico, em função da curvatura do espaço, portanto, ele é finito e tem porta de saída, que são os buracos negros, por onde ele vai minando e se esvaziando.

Até 2002, era quase certo que o nosso universo fosse cilíndrico, hoje já há alguma suspeita de que talvez não. Mas a teoria ainda não foi derrubada em sua totalidade. Supõe-se que este universo possível em que estamos apareceu há 15 bilhões de anos. Alguns falam em 13 bilhões, outros em 18, mas a hipótese menos implausível no momento é que estamos num universo que apareceu há 15 bilhões de anos, resultante de uma grande explosão, que o cientista inglês Fred Hoyle apelidou de gozação de big-bang, e esse nome pegou.

Qual é a lógica? Há 15 bilhões de anos, é como se se pegasse uma mola e fosse apertando, apertando, apertando até o limite, e se amarrasse com uma cordinha. Imagine o que tem ali de matéria concentrada e energia retida! Supostamente, nesse período, todo o universo estava num único ponto adensado, como uma mola apertada e, então, alguém, alguma força – Deus, não sei, aqui a discussão é de outra natureza – cortou a cordinha. E aí, essa mola, o nosso universo está em expansão até hoje. E haverá um momento em que ele chegará ao máximo de elasticidade e irá encolher outra vez.

A ciência já calculou que o encolhimento acontecerá em 12 bilhões de anos. Fique tranqüilo, até lá você já estará aposentado pelas novas regras. Você pode cogitar algo que a Física tem como teoria: ele vai encolher e se expandir outra vez. Talvez haja uma lei do universo em que o movimento da vida é expansão e encolhimento. Como é o nosso pulmão, como bate o nosso coração, com sístole e diástole. Como é o movimento do nosso sexo, que expande e encolhe, seja o masculino, seja o feminino.

Parece que existe uma lógica nisso, que os orientais, especialmente os chineses e indianos, capturaram em suas religiões, aquela coisa do inspirar e expirar. Parece haver uma lógica nisso, a ciência tem isso como hipótese. Assim, há 15 bilhões de anos, houve uma grande explosão atômica, que gerou uma aceleração inacreditável de matéria e liberação de energia. Essa matéria se agregou formando o que nós, humanos, chamamos de estrelas e elas se juntaram, formando o que chamamos de galáxias (do grego galaktos, leite). A ciência calcula que existam em nosso universo aproximadamente 200 bilhões de galáxias.

Uma delas é a nossa, a Via Láctea, que é “leite”, em latim. Aliás, nem é uma galáxia tão grande; calcula-se que ela tenha cerca de 100 bilhões de estrelas. Portanto, estamos em uma galáxia, que é uma entre 200 bilhões de galáxias, num dos universos possíveis e que vai desaparecer. Nessa nossa galáxia, repleta de estrelas, uma delas é o que agora chamam de estrela-anã, o Sol. Em volta dessa estrelinha giram algumas massas planetárias sem luz própria, nove ao todo, talvez oito (pela polêmica classificação em debate).

A terceira delas, a partir do Sol, é a Terra. O que é a Terra? A Terra é um planetinha que gira em torno de uma estrelinha, que é uma entre 100 bilhões de estrelas que compõem uma galáxia, que é uma entre outras 200 bilhões de galáxias num dos universos possíveis e que vai desaparecer. Veja como nós somos importantes….

Aliás, veja como nós temos razão de nos termos considerado na história o centro do universo. Tem gente que é tão humilde que acha que Deus fez tudo isso só para nós existirmos aqui. Isso é que é um Deus que entende da relação custo-benefício. Tem indivíduo que acha coisa pior, que Deus fez tudo isso só para esta pessoa existir. Com o dinheiro que carrega, com a cor da pele que tem, com a escola que freqüentou, com o sotaque que usa, com a religião que pratica. Nesse lugarzinho tem uma coisa chamada vida.

A ciência calcula que em nosso planeta haja mais de trinta milhões de espécies de vida, mas até agora só classificou por volta de três milhões de espécies. Uma delas é a nossa: homo sapiens. Que é uma entre três milhões de espécies já classificadas, que vive num planetinha que gira em torno de uma estrelinha, que é uma entre 100 bilhões de estrelas que compõem uma galáxia, que é uma entre outras 200 bilhões de galáxias num dos universos possíveis e que vai desaparecer.

Essa espécie tem, em 2010, aproximadamente 6,4 bilhões de indivíduos. Um deles é você. Você é um entre 6,4 bilhões de indivíduos, pertencente a uma única espécie, entre outras três milhões de espécies classificadas, que vive num planetinha, que gira em torno de uma estrelinha, que é uma entre 100 bilhões de estrelas que compõem uma galáxia, que é uma entre outras 200 bilhões de galáxias num dos universos possíveis e que vai desaparecer.

É por isso que todas as vezes na vida que alguém me pergunta: “Você sabe com quem está falando?”, eu respondo: “Você tem tempo?”

Para conferir o professor Mario Sergio Cortella no Jô, aqui tem um vídeo

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

• O cachorrinho e o tigre

Um cachorrinho, perdido na selva, vê um tigre correndo em sua direção. Pensa rápido, vê uns ossos no chão e se põe a mordê- los. Então, quando o tigre está a ponto
de atacá-lo, o cachorrinho diz:

- Ah, que delícia este tigre que acabo de comer! O tigre pára bruscamente e sai apavorado correndo do cachorrinho, e no caminho vai pensando: "Que cachorro bravo!
Por pouco não come a mim também!"

Um macaco, que havia visto a cena, sai correndo atrás do tigre e conta como ele havia sido enganado. O tigre, furioso, diz:

- Cachorro maldito! Vai me pagar!

O cachorrinho vê que o tigre vem atrás dele de novo e desta vez traz o macaco montado em suas costas. "Ah, macaco traidor! O que faço agora?", pensou o cachorrinho. Em vez de sair correndo, ele ficou de costas, como se não estivesse
vendo nada. Quando o tigre está a ponto de atacá-lo de novo, o cachorrinho diz:

- Macaco preguiçoso! Faz meia hora que eu o mandei me trazer um outro tigre e ele ainda não voltou!

O tigre deu meia volta e comeu o macaco.


Em momentos de crise, só a imaginação é mais importante que o conhecimento.
 

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